Sarrazola… uma escola entre o mar e a serra

 

No caminho até à Sarrazola, sente-se o verde da floresta, as bermas povoadas de folhas outonais que esvoaçam à passagem dos pneus na estrada. Observo diariamente o elétrico, no seu ritmo compassado guiado pelo maquinista, que conduz turistas satisfeitos a fim de conhecerem a brisa atlântica. E eu percorro a estrada, conduzindo o meu veículo, como se todos os dias me permitisse descobrir as novidades oferecidas pela natureza. Chegada ao destino, à então designada EBI de Colares, estaciono e há um abraço incomensurável do silêncio, do horizonte que se aloja na vista, entre o mar e a serra. Sente-se o prazer de escalar 62 degraus de madeira até à entrada no recinto escolar, para do alto se observar os campos, o amontoado de árvores, a fronteira entre o azul e o verde. É na travessia de escadas que se começa a escutar o burburinho humano e o som de uma campainha. Os alunos surgem e, em carreirinho, vão descendo em direção à estradinha de terra, atravessando um cenário tão campestre, tão pouco humanizado, como numa ambiência pura das histórias infantis, semelhante à que envolvia o Tom Sawyer da nossa infância. Quem dera que todos sentissem a plena consciência do privilégio de estudarem num lugar tão tranquilo, tão belo…

E, à porta da escola, há uma serenidade que me abraça e ao mesmo tempo me faz recordar os caminhos que eu no passado percorrera para lecionar, envolvidos em trânsito caótico, com condutores impacientes, semáforos que incomodavam, numa ilustração de buzinas, numa mistura ofegante de fumo proveniente dos autocarros, num contexto fechado e sufocante de prédios altos. Quantas vezes imaginei que atrás de todos aqueles edifícios poderia avistar o mar ou uma floresta…

Passados estes anos, sinto efetivamente o atual presente como um privilégio, um desfrutar diário, simples, harmonioso e especial, o de trabalhar na Escola da Sarrazola.

Vera Sousa, professora de Português/Francês da EBI de Colares, 26-9-2019

Recomeçar…

Férias terminadas… Início do ano letivo a rolar…

É o momento para o nosso estimado Chão de Areia recomeçar a sua atividade. Somos a mesma equipa do ano transato e daremos continuidade à linha editorial prevista pela Direção do Agrupamento, os artigos a publicar serão artigos de fundo, crónicas, artigos de opinião, notícias de atividades, etc.

Consideramos que a participação de todo o Agrupamento será fundamental para a boa qualidade do nosso trabalho e para a frequência de artigos a publicar. Esperamos continuar a contar com a preciosa colaboração do Seraloc e estamos cientes de que, com a participação de todos poderemos aumentar a frequência da publicação de artigos e assim corresponder aos interesses dos nossos leitores.

A todos desejamos um ótimo ano letivo.

Assim, até breve!

Contamos com a vossa colaboração.

As editoras,

Ana Alexandre

Paula Pinto

As Festas Religiosas do Penedo

Festa em Honra do Divino Espírito Santo

Nas festas de antigamente, atava-se um touro com cordas e alguns homens seguravam-no pelas cordas para ele não fugir e andavam com o touro pelas ruas da No dia 9 de junho, realizou-se a celebração religiosa: Festa em Honra do Divino Espírito Santo. Uma festa que se celebra há muitos e muitos anos.

aldeia.  Depois começava a missa na capela da aldeia. Mais à noite matava-se e cozinhava-se o touro para o povo. No dia seguinte davam-se os restos aos pobres para comerem.

Hoje em dia, a festa é muito diferente: já não matam o touro, mas há missa, procissão e o jantar reúne o povo e alegra-o. Continua a ser uma festa bonita e alegre, mas um pouco modificada: há rifas e atividades.

Convidamos toda a gente a visitar-nos para o próximo ano!

Seraloc, 3.ºA

Perlimpimpim a Nossa História Começa Assim…

O Urso e a Raposa

Na floresta de Artnic, num dia de verão, uma família de coelhos estava a acampar.

O Pai Coelho e a Mãe Coelha gostavam muito dos seus três filhinhos: Pedrinho, Joaninha e Zezinho. Eles eram muito pequeninos e faziam muitas traquinices.

Na floresta, havia a Raposa Matreira que estava a espreitar a Família Coelho. Aguardava pelo anoitecer para comer os três coelhinhos. A Raposa, fingindo-se de amável, foi falar com os três coelhinhos que estavam à volta da fogueira a grelhar espetadas de cenouras.

– Olá meus amigos, como estão? – Perguntou a Raposa, com um sorriso amarelo.

– Estamos bem!

– Querem vir beber um batido de cenoura, enquanto brincamos, meus amigos?

Os coelhinhos aceitaram a proposta da raposa e, sem desconfiar de nada, foram até à toca. Quando chegaram lá, a Raposa tinha preparado um banquete para eles os três.

– Vamos fazer uma fogueira? – pergunta a raposa – mas não tenho lenha em casa.

-Uma fogueira? Perguntaram o Pedrinho e a Joaninha que já estavam a estranhar um bocado.

A Joaninha e o Pedrinho foram buscar a lenha ao bosque. O Zezinho ficou à espera com a raposa, na sua toca. Aproveitando a ausência dos irmãos, a raposa tentou comer o Zezinho! Mas o Zezinho fugiu para o bosque. Durante a sua fuga, o Zezinho chocou contra uma barriga enorme e peluda, vendo umas patas com garras enormes e uns dentes afiados. Era um urso. O Zezinho, assustado, fugiu! Encontrou os manos.

– Manos- diz o Zezinho – a raposa tentou comer-me e quando fugi, eu vi um urso muito grande e assustador!

Nesse momento, aparece a Raposa que pulou até eles, querendo comê-los.

De repente, o Urso salta por cima da Raposa, tentando afastá-la dos três coelhinhos. A Raposa e o Urso começaram a lutar. O Urso ganhou e a Raposa fugiu.

Os coelhos ficaram arrepiados e assustados. Será que o Urso os quer comer?!!

– Eu não vos faço mal!

-Achas que acreditamos nessa? Somos novos, mas não somos ingénuos! Tu és um Urso grande, mau, feio e gordo!

– Desculpem-me, eu não vos queria assustar – e o Urso foi embora triste.

Os Coelhinhos sentiram-se mal e muito tristes por terem sido injustos com o Urso. Depois de fazerem as pazes, voltaram ao acampamento e comeram espetadas de cenouras.

Moral da história, as aparências enganaram os três coelhinhos. Assim, como diz o ditado “Quem vê caras, não vê corações!”

Seraloc, 4.ºA

O Desafio do Seraloc

O que é um perímetro? Por exemplo, de um retângulo é: lado + lado + lado + lado, ou seja, é a soma de todos os seus lados.

O que é uma área? É a medida da superfície, ou seja, a medida do que está por dentro.

Agora diverte-te!!!

  • Associa/Liga os desenhos com o mesmo perímetro.

  • Associa os desenhos com a mesma área.

Conseguiste? Parabéns!

Seraloc, 3.º/4.º B

O que Vale a Pena Saber sobre a Praia

Praia de areia – Figueira da Foz

Estamos no tempo de praia e são muitos os que fruem o descanso e o prazer que nela encontram, mas que desconhecem as razões da sua existência, o porquê da sua natureza, os processos naturais que nela ocorrem e a regulam, o que são a areia e os seixos, de onde vêm e porque estão ali.
A praia é uma das duas formas de litoral, a outra é a arriba ou falésia (um francesismo já bem radicado em português). Comecemos por lembrar o que diz a geografia sobre este “Onde a terra se acaba e o mar começa”, como o descreveu Luís de Camões, nos Lusíadas.
Litoral (do latim “lituralis”, com o mesmo significado) é, se quisermos usar uma linguagem figurada, mas suficientemente expressiva, a linha resultante do diálogo permanente entre a terra e o mar. Neste diálogo, ou vence o mar e o litoral é de erosão, rochoso, alcantilado, em recuo, exemplificado pelas arribas dos nossos Cabos Mondego, Espichel ou de Sagres, ou vence a terra e é o mar que recua. Neste caso, o litoral é dito de acumulação, exemplificado pela praia, geralmente de areia, como são a maioria das praias portuguesas, mas, em algumas situações, de cascalho, seixos ou calhaus (três modos de referir os clastos mais grosseiros), no geral arredondados pela abrasão, como é a Praia do Belinho, em Esposende.

Praia de cascalho – Belinho, Esposende.

Na sequência desta regressão do mar, a arriba fica liberta da erosão das vagas, passando a evoluir em ambiente subaéreo, até adquirir um perfil de equilíbrio ditado pela sua natureza e pelas condições climáticas ambientais. Facilmente reconhecíveis na paisagem, estes testemunhos de antigos litorais são classificados como “arribas fósseis”. Entre a Costa de Caparica e a Lagoa de Albufeira desenha-se uma destas relíquias (classificada como Paisagem Protegida, Dec. Lei n.º 168/84, de 22 de Maio), razoavelmente preservada, entre os muitos exemplos existentes ao longo da costa portuguesa.
A praia é, na maior parte dos casos, uma acumulação precária de areia e/ou cascalho, representando um ambiente onde o binómio morfologia-sedimentação se caracteriza por grande instabilidade. Qualquer modificação natural ou artificial introduzida na morfologia da praia ou no seu conteúdo sedimentar (areias e, eventualmente, cascalho) tem reflexos no balanço erosão-sedimentação.

No sentido mais amplo, a praia é a faixa do litoral arenoso (algumas vezes de calhaus), exposta às vagas, estas com crescente dissipação de energia no sentido do mar para a terra (na medida em que a profundidade diminui).

Este tipo de litoral compreende um domínio submarino e outro subaéreo. A “praia imersa” descobre-se na baixa-mar durante as marés vivas e corresponde ao domínio sublitoral, inframareal ou infralitoral. Neste domínio, o perfil do fundo mostra, do mar para a terra, um talude, bancos de rebentação e uma faixa de espalho da onda. Para o largo segue-se o domínio circamareal ou circalitoral, na transição para a plataforma continental (offshore), onde só a ondulação de tempestade tem efeito dinâmico sobre o fundo. A “praia emersa” corresponde ao domínio supramareal ou supralitoral, só ocupado por altura das marés vivas e durante as tempestades.

A praia propriamente dita (em sentido restrito) corresponde ao domínio intermareal ou interlitoral. Dela faz parte a face da praia, ocupada pela rampa de espraio e de ressaca (situada acima da faixa de espalho da onda), onde se consome grande parte da sua energia após a rebentação. A esta sucede-se o espraio de uma certa massa de água, que avança sobre a face da praia à chegada da crista, a que se segue a ressaca ou recuo, que corresponde à chegada da cava.

A. M. Galopim de Carvalho

Sérgio Luís de Carvalho veio à nossa escola!

Dados Biográficos

​  Sérgio Luís de Carvalho nasceu em Lisboa, em 2 de julho de 1959 e reside em Sintra.

Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981) e tirou o mestrado em História Medieval pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1988).

Atualmente é professor de História e de História da Arte, sendo ainda Diretor Científico do Museu do Pão e do Museu da Cerveja.

Iniciou a sua carreira literária em 1986 com os primeiros títulos de literatura infanto-juvenil (para crianças e jovens) de investigação em história. Em 1989 o seu primeiro romance Anno Domini 1348 ganhou o Prémio Literário Ferreira de Castro. Nos anos seguintes, e até ao presente, foram sendo sucessivamente publicados vários títulos nestas três vertentes: romance, investigação histórica e literatura infanto-juvenil.

Alguns dos seus romances foram entretanto traduzidos e publicados em França, Espanha (em galego e em castelhano) e em Itália, tendo recebido críticas bastante positivas em todos estes países. O seu romance Anno Domini 1348 foi, aliás, em França, finalista a dois consagrados prémios literários: o Prémio Literário Jean Monnet de Literatura Europeia (2004) e o Prémio Amphi de Literatura Europeia (2005).

​O seu livro História de Portugal Contada às Crianças está traduzido e publicado nos Estados Unidos (Tagus Press), sendo a primeira História de Portugal infanto-juvenil traduzida em inglês.

Tem contos publicados em várias coletâneas e está ainda representado em várias antologias literárias.

VINDA DE SERGIO LUÍS DE CARVALHO A EBI DE COLARES.

No dia 24 de abril de 2019, veio a nossa escola, o Professor Sérgio Luís de Carvalho. Esta oportunidade foi valiosa. Aprendemos muitas coisas sobre o 25 de abril.

Aprendemos que os rapazes e as raparigas não se podiam misturar na escola e deviam vestir-se com fardas. Eles eram obrigados a rezar antes das aulas e deviam portar–se muito bem, se não podiam ter castigos, alguns até corporais!

Nesse tempo, as pessoas não se podiam juntar para falar ou conviver porque a PIDE prendia-os, torturava-os, às vezes até à morte.

O professor contou-nos também que um soldado pediu um cigarro a uma florista. Ela respondeu que não tinha um cigarro, mas disse-lhe:

– Vou dar-te o que eu tenho – e deu-lhe todos os seus cravos vermelhos.

Foi assim que muitos soldados tiveram cravos no dia 25 de abril. Fizeram cair a ditadura sem um único tiro e com uma flor no canhão das suas armas.

O professor contou-nos muito mais coisas que não cabem neste artigo.

Obrigado Prof. Sérgio pela partilha!

E foi assim que aconteceu um 25 de abril na EBI de Colares!

SERALOC, 3/4B