Não há Planeta B

Para vergonha dos governantes de todo o mundo, rendidos ao poder da alta finança, os adolescentes de todo o mundo, lutam, unidos, em defesa do seu futuro.

Quem estudou ou estuda geologia, ainda que a nível básico, sabe que, ao longo dos milhões de anos da história da Terra, houve várias crises planetárias de naturezas diversas (megaimpactos meteoríticos, intenso vulcanismo, variações do clima e do nível do mar e outras que ignoramos) de que resultaram extinções, à escala do planeta, de grande número de espécies, uma das quais, a mais divulgada, há cerca de 65 milhões de anos, pôs fim a cerca de dois terços das espécies de então, entre as quais os dinossáurios. Sabe também que, a seguir a essas crises, novas espécies surgiram adaptadas às novas condições ambientais.

O Homem, feito dos mesmos átomos de que são feitas as estrelas, os minerais, as plantas, os outros animais e tudo o mais que existe, é matéria que adquiriu complexidade tal que se assumiu com capacidade de se interrogar, de se explicar e de intervir no seu próprio curso e no do ambiente onde foi “fabricado”. Ele é um estado que julgamos ser o mais avançado da combinação dessa mesma matéria, capaz de pensar e fazer aquilo a que chamamos Ciência, isto é, observar, descrever, relacionar, explicar, induzir, prever. O Homem, na sua possibilidade de adquirir conhecimento e de o transmitir, de criar religiões e as mais diversas formas de arte, é a manifestação mais elaborada da realidade física do mundo que conhecemos, na qual foi consumida a totalidade do tempo do universo, estimado em cerca de 13 800 milhões de anos. Assim, a Ciência, através do Homem, pode ser entendida também como expoente máximo da matéria que se questiona a si própria. Pode dizer-se que a Natureza “pensa” através do cérebro humano e, com igual razão, pode aceitar-se que o Homem deu voz à Natureza. Tais capacidades colocam-nos a nós, humanos, numa posição de grande vantagem entre os nossos pares no todo natural. Mas teremos nós o direito de gerir a Natureza apenas em nosso proveito, agredindo-a como tem sido regra, sobretudo a partir da Revolução Industrial, no séc. XIX, com intensidade exponencialmente crescente e alarmante nos dias de hoje?

A Terra, no quadro em que se nos apresenta nos dias que estamos a viver, é o resultado de um sem número de agressões sofridas ao longo da sua velhíssima história, a que se junta a que, todos os dias em vão, tem vindo a ser denunciada pelos cientistas. A Terra, sabemos hoje, é um corpo que se autorregula e, como tal, sempre soube encontrar resposta a todas essas agressões e vai, sem dúvida, continuar a fazê-lo. Os danos que lhe estamos a causar, no mau uso que dela fazemos, é mudar-lhe as condições que nos são favoráveis e que bem conhecemos, dando origem a outras, já previstas pela ciência, que nos serão adversas. Assim, ao atentarmos contra a Natureza, estamos, certamente, a atentar também contra nós contra a humanidade, contra, já, aos milhões de crianças que, como a pequena sueca Greta Thunberg, desfilam em milhares de cidades do mundo, a lembrarem que não há planeta B. Acaso deixou de existir mundo natural aquando das grandes extinções em massa?

Numa ânsia desenfreada de lucro e de prazer, a civilização industrial incontrolada está a caminho de nova extinção em massa (todos os dias somos alertados sobre espécies extintas e em via de extinção) que, certamente, nos vitimará também. Porém, o planeta – e os geólogos têm consciência disso – irá prosseguir, mesmo sem a inteligência do Homem, e acabará por encontrar novos caminhos, em obediência apenas às leis da física, incluindo as do acaso, podendo voltar a ensaiar um outro ser inteligente ou, até, mais inteligente do que esta versão moderna, egoísta e estúpida do Homo sapiens, que somos nós. Para tal só necessita de tempo, de muito tempo, e isso não lhe irá faltar, uma vez que estimamos em mais cinco a seis mil milhões de anos a sua existência como planeta, até que o Sol, na sua evolução como estrela, nos envolva num imenso brasido.

(imagem retirada do facebook “Nâo há Planeta B”)

A. M. Galopim de Carvalho

Amas a Arte?

 

Amas a Arte?

Reagi e disse que era o mesmo que amar-te.

Todo o universo acaba por ser essa ciência

Enquanto a sentirmos com inteligência.

 

Um quadro, um poema, um sentimento…

Não sei o que é arte para os outros

arte, para mim, sentir.

 

As melhores pinturas são as não desenhadas

 

Naturais, sentidas, observadas…

Os poemas são outra arte

Soltos, bafejados por notas

Soletrados por rimas vivas ou mortas.

A arte pode ser o teu olhar, o teu sorrir,

 

Viagens que fizemos sem saber para onde ir…

Isto ou aquilo pode ser arte

Desde que sejamos nós a defini-la,

Antes de mais nós a senti-la!

 

Vera Sousa, professora de Português/Francês da EBI de Colares,
publicado na Antologia de Poesia Contemporânea Entre o Sonho e o Sonho,
vol. III, 
2012, pág. 474, Chiado Editora

24 de outubro – Dia Mundial do Combate à Poliomielite

No dia 24 de outubro, no âmbito do Projeto de Educação para a Saúde, o Rotary Clube de Sintra deslocou-se à escola básica integrada de Colares para promover uma sessão de sensibilização sobre a Poliomielite. O principal e único objetivo do dia Mundial da Poliomielite é erradicar a doença e para isso ser uma realidade cada vez mais próxima, muito tem contribuído o movimento Rotary por todo o mundo.

Realizaram-se duas sessões, uma para os alunos do 8ºano e outra para os do 9ºano, ambas no Auditório Gil Vicente. A participação dos alunos foi reveladora de interesse e preocupação com o tema, o que nos permite afirmar ter-se tratado de uma ação com um impacto significativo.

Esta foi uma primeira parceria com o Rotary Club de Sintra estando previstas outras ações para breve.

A Coordenação da EBI de Colares aproveita para agradecer a disponibilidade demonstrada pelo Clube Rotary de Sintra e em especial à profª Maria Fernanda Godinho.

Até breve!

A Pedra da “Sopa da Pedra” que se faz em Almeirim

Desde muito cedo, na história da Terra, os grãos de quartzo das areias acumuladas nas plataformas continentais de um e de outro lado de um oceano que se fechou (por aproximação e colisão dos dois continentes que o marginavam), sofrem as transformações próprias dos processos metamórficos associados ao respectivo orógeno, ou seja, à cadeia de montanhas que, a partir daí, se formou. Do mesmo modo que os pelitos (argilas+siltes) evoluem para xistos e os calcários, para mármores, as areias de quartzo soltas ou já consolidadas (quartzarenito) transforma-se em quartzitos.

O quartzito é, pois, uma rocha metamórfica essencialmente ou, por vezes, quase exclusivamente siliciosa, constituída por um mosaico de grãos de quartzo recristalizados por efeito das pressões e das temperaturas a que estiveram sujeitos. Mantém a estratificação da rocha sedimentar original, isto é, em camadas, via de regra, deformadas próprias da tectónica inerente um orógeno.

No caso da rocha original (protólito) ser um quarzarenito de cimento silicioso (microquartzítico ou calcedonítico), a recristalização afecta, em simultâneo, os grãos de quartzo e o cimento. Deixa, assim, de haver cimento, dado que este alimentou o crescimento dos grãos de quartzo do protólito. Um crescimento qualificado de sintaxial porque conserva a mesma orientação estrutural dos grãos a partir dos quais se desenvolve.

No caso português, quando um antigo e grande oceano se fechou, num processo que se iniciou há aproximadamente 375 milhões de anos (orogenia varisca ou hercínica) e que durou mais de 50 milhões, os sedimentos nele acumulados sofreram metamorfismo e enrugamentos, dando nascimento a uma grande cadeia de montanhas, hoje parcialmente arrasada pela erosão, de que a Península Ibérica é uma pequena parte. Quartzitos, xistos, grauvaques e mármores, entre outras rochas, que fazem parte do soco peninsular, são as entranhas dessa grande cadeia esventrada expostas à superfície.

Livraria do Mondego

Em Penacova, no distrito de Coimbra, a “Livraria do Mondego”, entendida (mas ainda não classificada) como um geomonumento à escala do afloramento, exibe um notável conjunto de camadas de quartzito ordovícico, tectonicamente empinadas quase à vertical, como se de livros numa estante se tratasse, aspecto muito particular e belo que deu origem à designação porque é de há muito conhecido.
Protegido e musealizado pela autarquia, está dotado de percursos de visita devidamente sinalizados, miradouros, guardas de segurança, pontos de descanso, parque de estacionamento para duas dezenas veículos e, ainda, dois pequenos cais para ancoragem da “barca serrana”, destinada a percursos, permitindo a observação do geomonumento a partir do rio.

Portas de Ródão

Os quartzitos que, sendo as rochas mais duras e quimicamente as mais estáveis, são as que mais resistem aos agentes de alteração e desgaste do relevo, dando origem, por erosão diferencial, aos chamados “relevos de dureza”. Bem salientes na paisagem nacional, são referidos, entre geógrafos e geólogos, por “cristas quartzíticas”. Todas de idade ordovícica (488-443 milhões de anos), podemos vê-las, entre outras, no Buçaco, Marão, Marofa, Moradal, Penha Garcia e Serra da Talhada que, em Vila Velha de Ródão foi cortada e atravessada pelo Tejo, num processo designado por epigenia, ou seja, por encaixe ou aprofundamento de um vale numa formação geológica situada abaixo daquela onde se instalou.

Quando o Rio Tejo, no decurso da sua evolução, recuando, grosso modo, de sudoeste para nordeste, se instalou na região, a referida crista estava submersa num “mar de sedimentos” ou, por outras palavras, sob uma cobertura sedimentar (areias, argilas e cascalheiras) relativamente fácil de escavar. Na continuidade da sua evolução, o rio foi aprofundando o seu leito, até que encontrou a crista de quartzito. Mas o leito estava traçado e as águas do rio estavam-lhe confinadas, acabando por cortá-la, abrindo as de há muito conhecidas por “Portas de Ródão”. Invulgar geomonumento à escala da paisagem, classificado como Monumento Natural, em 20 de Maio de 2009, é a expressão grandiosa e espectacular do referido processo.

São, em grande parte, destas cristas os seixos rolados de quartzito abundantes nas grandes planuras e terraços fluviais ribatejanos, os mesmos que podemos encontrar no fundo da terrina que, em Almeirim, vai à mesa com a tão falada “sopa da pedra”.

 

A. M. Galopim de Carvalho

(o autor não segue o acordo ortográfico)

 

Sarrazola… uma escola entre o mar e a serra

 

No caminho até à Sarrazola, sente-se o verde da floresta, as bermas povoadas de folhas outonais que esvoaçam à passagem dos pneus na estrada. Observo diariamente o elétrico, no seu ritmo compassado guiado pelo maquinista, que conduz turistas satisfeitos a fim de conhecerem a brisa atlântica. E eu percorro a estrada, conduzindo o meu veículo, como se todos os dias me permitisse descobrir as novidades oferecidas pela natureza. Chegada ao destino, à então designada EBI de Colares, estaciono e há um abraço incomensurável do silêncio, do horizonte que se aloja na vista, entre o mar e a serra. Sente-se o prazer de escalar 62 degraus de madeira até à entrada no recinto escolar, para do alto se observar os campos, o amontoado de árvores, a fronteira entre o azul e o verde. É na travessia de escadas que se começa a escutar o burburinho humano e o som de uma campainha. Os alunos surgem e, em carreirinho, vão descendo em direção à estradinha de terra, atravessando um cenário tão campestre, tão pouco humanizado, como numa ambiência pura das histórias infantis, semelhante à que envolvia o Tom Sawyer da nossa infância. Quem dera que todos sentissem a plena consciência do privilégio de estudarem num lugar tão tranquilo, tão belo…

E, à porta da escola, há uma serenidade que me abraça e ao mesmo tempo me faz recordar os caminhos que eu no passado percorrera para lecionar, envolvidos em trânsito caótico, com condutores impacientes, semáforos que incomodavam, numa ilustração de buzinas, numa mistura ofegante de fumo proveniente dos autocarros, num contexto fechado e sufocante de prédios altos. Quantas vezes imaginei que atrás de todos aqueles edifícios poderia avistar o mar ou uma floresta…

Passados estes anos, sinto efetivamente o atual presente como um privilégio, um desfrutar diário, simples, harmonioso e especial, o de trabalhar na Escola da Sarrazola.

Vera Sousa, professora de Português/Francês da EBI de Colares, 26-9-2019

Recomeçar…

Férias terminadas… Início do ano letivo a rolar…

É o momento para o nosso estimado Chão de Areia recomeçar a sua atividade. Somos a mesma equipa do ano transato e daremos continuidade à linha editorial prevista pela Direção do Agrupamento, os artigos a publicar serão artigos de fundo, crónicas, artigos de opinião, notícias de atividades, etc.

Consideramos que a participação de todo o Agrupamento será fundamental para a boa qualidade do nosso trabalho e para a frequência de artigos a publicar. Esperamos continuar a contar com a preciosa colaboração do Seraloc e estamos cientes de que, com a participação de todos poderemos aumentar a frequência da publicação de artigos e assim corresponder aos interesses dos nossos leitores.

A todos desejamos um ótimo ano letivo.

Assim, até breve!

Contamos com a vossa colaboração.

As editoras,

Ana Alexandre

Paula Pinto

As Festas Religiosas do Penedo

Festa em Honra do Divino Espírito Santo

Nas festas de antigamente, atava-se um touro com cordas e alguns homens seguravam-no pelas cordas para ele não fugir e andavam com o touro pelas ruas da No dia 9 de junho, realizou-se a celebração religiosa: Festa em Honra do Divino Espírito Santo. Uma festa que se celebra há muitos e muitos anos.

aldeia.  Depois começava a missa na capela da aldeia. Mais à noite matava-se e cozinhava-se o touro para o povo. No dia seguinte davam-se os restos aos pobres para comerem.

Hoje em dia, a festa é muito diferente: já não matam o touro, mas há missa, procissão e o jantar reúne o povo e alegra-o. Continua a ser uma festa bonita e alegre, mas um pouco modificada: há rifas e atividades.

Convidamos toda a gente a visitar-nos para o próximo ano!

Seraloc, 3.ºA