A Lenda de Colares

Reza a lenda bem antiga,

Que uma condessa alemã,

Chegou com os seus três filhos,

À costa de Sintra numa bela manhã.

 

Subindo o rio acima,

E encantada com a região,

Do seu barco avistou,

A frondosa vegetação.

 

Quis edificar o seu castelo,

Em terrenos governados por um mouro,

Em troca Zeilão pediu-lhe

Um punhado de prata ou ouro.

 

Não tendo a condessa moedas,

Deixou-lhe de penhor três colares

e desta lenda nasceu o nome

da terra onde respiras os mais puros ares.

 

SERALOC,

André Pedroso,  Andreia Bejinariu, 
Beatriz Palma,  Cristian Cirstean,
Leonardo Martins,  Maria Inês Francisco

As Melhores Anedotas deste Carnaval


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Plasticologia Marinha na EBI de Colares

Graças a uma parceria entre a Rede de Bibliotecas Escolares e o Oceanário de Lisboa, e no âmbito da disciplina de Ciências Naturais, a professora bibliotecária Paula Jacinto e a professora Luísa Alfaiate organizaram um workshop de Plasticologia Marinha para as turmas de 5º ano. A atividade decorreu nos dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro, na nossa escola, e foi dinamizada pela bióloga Joana Almeida, da equipa do Oceanário de Lisboa.

Plasticologia, cuja etimologia vem do grego, significa “estudar o plástico”. É uma ciência que visa perceber como o plástico contamina o mar; o impacto do plástico no ambiente e no planeta Terra.

Os mares e oceanos são dinâmicos e fornecem, para além de alimento, energia e diversão, uma grande parte do oxigénio que respiramos. A bióloga Joana Almeida alertou para o facto dos nossos mares estarem cheios de lixo e que 80% do lixo marinho é composto por plástico. Até há ilhas de plástico que são maiores do que a superfície do nosso país, imaginem só!

Os resíduos/embalagens de plástico são perigosos para a vida marinha: os animais ficam presos neles e assim não conseguem caçar para se alimentar ou ir à superfície para respirar, outros animais ingerem-nos, confundindo-os com alimento e muitos morrem estrangulados, sufocados, com lesões, ou de fome.

O plástico tem um impacto enorme nas espécies e ecossistemas marinhos. Infelizmente, o ser humano tem abusado na sua produção e utilização. É fundamental proteger os mares e oceanos através de hábitos simples no  tratamento das embalagens de plástico, que podemos usar no nosso dia-a-dia. Deste modo, devemos aplicar a regra dos 5 R’s: REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR, RECUSAR e REEDUCAR.

Proteger e cuidar está nas nossas mãos! É fácil! Vamos passar a mensagem!!!

A docente Paula Jacinto

Afetos

A bancada era alta e eu era demasiado pequena para chegar até ela. Em bicos de pés, observava a florista e a velocidade das suas mãos a preparar as flores, a transformá-las em bonitos ramos. As flores uniam-se umas às outras harmoniosamente com as suas cores, entrelaçadas no verde da rama. A senhora era, sem dúvida, habilidosa e eu observava-a na ligeireza da minha idade. Ela soltava gargalhadas, irradiava alegria e contagiava a clientela.

– É um dom fazer sorrir os outros, sabes? – dissera-me uma vez.

Muitos anos passaram e aquela frase ficou-me retida na mente. A frase, as flores, a senhora que hoje atravessa a terceira idade.

No início da semana, fui almoçar fora com familiares. Vieram as travessas trazidas pelo único empregado do restaurante, um senhor quase octogenário. Surpreendemo-nos com a idade dele, com a insistência de ainda querer manter o estabelecimento aberto, situado no local mais recôndito, e pelo qual já pouca gente passa.

– A minha esposa partiu há um ano. A malvada doença levou-a… – confidenciou. – Já não tenho ninguém que me ajude…

Durante a refeição, escutámos as suas histórias e recordei as palavras da antiga florista e na mais-valia de podermos proporcionar sorrisos nos outros, através de palavras, gestos, afetos, e isso encher-nos o coração…

– Há uma falta de afeto hoje em dia, porque a sociedade se tornou cada vez mais fria… Há muita maldade por aí que faz julgar os demais… A sociedade está morta. Cada vez mais riqueza material e pobreza interior… – frisava.

Àquele idoso, que recusava desfrutar da solidão do seu lar e preferia viajar por memórias do passado no seu restaurante ultrapassado no tempo, o nosso pequeno momento de afeto tinha-o feito sorrir, porque muitas vezes para fazer sorrir os outros basta estarmos atentos e darmos atenção.

E tu já pensaste que tipo de afeto queres deixar ao mundo? Afeto é estendermos a mão, é sermos Alberto Caeiro todos os dias, simples, naturais, objetivos na leitura das relações. Afeto é pormos de lado pensamentos infelizes de materialismo, é matarmos as palavras duras e amarmos as mais belas. No jardim dos afetos não há julgamentos, não há muros, mas flores lexicais que podem fazer brotar no nosso coração o ramo mais belo de amizade e fraternidade. 

Vera Sousa, professora de Português e Francês, 3º ciclo.

Semana dos Afetos

A EBI de Colares irá dedicar a próxima semana à Celebração dos Afetos, tal como já havia acontecido no ano anterior.

Segue-se abaixo o cartaz da programação de atividades. Clica para ampliar.

As editoras

Corta-Mato EBI Colares

Dia 15 de janeiro realizou-se o tradicional corta-mato da EBI  de Colares. Participaram também as escolas básicas do 1C de Galamares e Mucifal. Este ano o tempo apresentou-se repleto de nuvens e apenas esporadicamente  tivemos a aparição do sol. Apesar destas condições climatéricas mais de 230 corajosos atletas participaram nas provas dos seus escalões dando um colorido fantástico ao espaço escolar. Os melhores seis de cada escalão atingiram um dos grandes objetivos da provas que é representar a EBI de Colares no corta-mato concelhio Sintra no próximo dia 4 de fevereiro. Parabéns a todos os envolvidos na organização quer tenham sido professores, alunos e funcionários e um abraço especial ao grupo de educação física.
Para o ano haverá mais! Ver vídeo
O grupo de educação física

A Propósito do Aquecimento Global

No momento presente, em que anda muita gente a “dizer coisas”, sobre o aquecimento do planeta, o degelo dos glaciares e a subida do nível do mar, em que uns agridem, outros defendem a jovem sueca Greta Thunberg, a verdade, goste-se ou não, é que ela é o rosto de um movimento, estou em crer imparável, que já mobilizou os adolescentes (e não só) à escala mundial.

A começar, devo dizer que apoio e acredito em toda esta dinâmica de juventude à escala mundial, desejando que ela envolva igualmente a luta bem mais necessária e urgente contra a destruição das florestas, a poluição do ar, das águas marinhas e fluviais, dos solos e a destruição galopante dos recursos naturais. Se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma de viver e de consumir, deixando de agredir e de conspurcar a Natureza.

Relativamente a este processo, que se me afigura demasiadamente politizado, é minha convicção que a actividade antrópica, com influência no clima, não se sobrepõe, em especial, às do Sol e do vulcanismo. Penso pois que, mesmo sem a poluição atmosférica, da nossa responsabilidade, nomeadamente a relativa às emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa (que existe e é um facto comprovado), o Planeta irá aquecer nos próximos milhares de anos e registar fenómenos atmosféricos como os que nos tem vindo a mostrar (chuvadas e cheias catastróficas, furacões, tornados e outros), associados à inevitável subida do nível do mar.

Vale pois, a pena, reflectir sobre o que tem sido o sobe e desce da temperatura do planeta, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar nos derradeiros milhares de anos. Nos últimos dois milhões de anos da história da Terra foram registadas seis grandes glaciações, intercaladas por períodos de aquecimento global, ditos interglaciários, no pico dos quais os níveis do mar subiram muito acima do nível actual. A mais recente destas seis glaciações, ocorrida entre há 80 000 e 10 000 anos, conhecida por Wurm, na Europa, e por Wisconsin, na América do Norte, não será certamente a última, e nós estamos a viver um período de aquecimento interglaciário, entre esta e a previsível próxima glaciação, daqui a uns bons milhares de anos. Assim sendo, com ou sem gases com efeito de estufa de origem antrópica, libertados para a atmosfera, a temperatura global vai elevar-se e, em consequência do inevitável degelo, o nível do mar vai subir e muito.

Há cerca de 18 000  anos, no Paleolítico, já as mais antigas gravuras rupestres se disseminavam pelas paredes rochosas do Vale do Côa, atingia-se o máximo de rigor e de extensão da última glaciação do Quaternário, a atrás referida Würm. Restringindo-nos ao hemisfério Norte, a calote glaciária em torno do Pólo, espessa de dois a três milhares de metros, alastrava até latitudes que, na Europa, atingiam o norte da Alemanha, deixando toda a Escandinávia submersa numa imensa capa de gelo, capa que cobria igualmente grande parte da Sibéria, todo o Canadá e a Gronelândia. No Pólo Sul a respectiva calote extravasou, e muito, os limites do continente antárctico, alastrando sobre o oceano em redor e cobrindo a parte meridional da América do Sul.

No Atlântico Norte, a frente polar, ou seja, o encontro entre as águas polares, com icebergs à deriva, e as águas temperadas, situava-se à latitude da nossa costa norte, entre Aveiro e o Porto. O nível do mar estaria, ao tempo, uns 140 metros abaixo do actual, pondo a descoberto uma vasta superfície, hoje submersa, levemente inclinada para o largo e que corresponde à actual plataforma continental. Da linha de costa de então descia-se rapidamente para os grandes fundos oceânicos, com 4 a 5 mil metros de profundidade. A temperatura média das nossas águas rondaria, então, os 4ºC.

As Serras da Estrela e do Gerês, à semelhança de outras montanhas no país vizinho, tinham os cimos permanentemente cobertos de gelo, desenvolvendo processos de erosão próprios dessa situação climática, cujos efeitos ainda se podem observar em importantes testemunhos, com destaque para o vale glaciário do Zêzere. Relevos menos proeminentes, mais a sul e menos afastados do litoral como, por exemplo, as serras calcárias do Sicó, Aires, Candeeiros e Montejunto, encontram-se ainda, da mesma época, vestígios bem conservados e evidentes de acções  periglaciárias. Desses vestígios sobressaem certas coberturas de cascalheiras soltas, brechóides, sem matriz argilosa, essencialmente formadas por fragmentos de calcário muito achatados e angulosos, em virtude da sua fracturação pelo frio, que deslizaram ao longo das vertentes geladas, destituídas de vegetação e de solo, e se acumularam na base desses declives. A conhecida pincha de Minde teve a sua origem nesta altura e através deste processo.

A partir de então verificou-se uma importante melhoria climática e consequente degelo. A temperatura sofreu uma elevação gradual e as grandes calotes geladas começaram a fundir e a retrair-se, debitando nos oceanos toda a imensa água até então aprisionada. Em consequência, o nível geral das águas iniciou a última grande subida e mais uma invasão das terras pelo mar, conhecida por transgressão flandriana. Praticamente, todos os rios portugueses, do Minho ao Guadiana, terminam em estuários, que não são mais do que vales fluviais escavados durante esta última glaciação e posteriormente invadidos pelo mar, no decurso desta transgressão.

Pelos estudos realizados na nossa plataforma continental sabemos que, há uns 12 000 anos atrás e na continuação do degelo global, o nível do mar coincidia com uma linha aí bem marcada, à profundidade de 40 metros. Uns mil anos mais tarde, a tendência geral de aquecimento generalizado foi perturbada por uma crise de arrefecimento à escala mundial.

Uma explicação para esta interrupção, relativamente brusca, no processo de aquecimento global que se vinha a verificar há alguns milhares de anos, pode encontrar-se na presunção de que, durante a glaciação, se formaram lagos enormíssimos no continente norte-americano, mantidos por grandes barreiras de gelo, que teriam recebido águas de cerca de oito mil anos de degelo nessa área da calote gelada. Admite-se que, tendo descongelado as barreiras que sustinham esses lagos, toda a água doce aprisionada desaguou no Atlântico Norte, desencadeando a brusca congelação da superfície do mar e a consequente mudança climática com reflexos à escala global. Saiba-se que água doce congela a uma temperatura mais elevada do que a água salgada do mar.

Na sequência, os glaciares não só interromperam o degelo, como reinvadiram as áreas entretanto postas a descoberto. Em resultado desta nova retenção das águas, o nível do mar desceu de um valor estimado em 20 metros e assim permaneceu durante cerca de mil anos. A frente polar, que recuara até latitudes mais setentrionais, avançou de novo e atingiu o paralelo da Galiza, pelo que as temperaturas das nossas águas voltaram a descer, rondando os 10ºC. No final deste episódio de inversão climática, a que se dá o nome de Dryas recente, há 10 000 anos, a transgressão retomou o seu curso. O clima tornou-se mais quente e mais chuvoso, entrando-se no que designamos por pós-glaciário. Há 6 a 7 mil anos, a temperatura média, na nossa latitude, atingia cerca de 5ºC acima dos valores normais no presente. Foi o recomeço da subida generalizada do nível do mar, que se vinha a verificar desde o início do degelo, à razão de cerca de 2 cm por ano, em valor médio, embora a ritmo não constante e com algumas oscilações. Este episódio, conhecido por Óptimo Climático, coincidiu, em parte, com o Mesolítico português, estando bem exemplificado nos magníficos concheiros de Muge, no Ribatejo.

O nível marinho actual começou a ser atingido há cerca de 5000 anos, em pleno Megalítico ibérico, iniciando-se, então, o que é corrente referir como Período Climático Subatlântico, marcado por relativa humidade. A partir de então verificaram-se pequenas oscilações na temperatura, marcadas por moderadas e curtas crises de frio, com correspondentes recuos do mar, designados por Baixo Nível Romano, há 2000 anos, Baixo Nível Medievo, em plena Idade Média (séculos XIII e XIV) e Pequena Idade do Gelo, nos séculos XVI a XVIII, bem assinalada na Europa do Norte pelo congelamento de rios e lagos, situações relacionadas com a ocorrência de grandes cheias primaveris, resultantes do degelo nas montanhas, bem testemunhadas em pinturas da época. Posteriormente a esta crise de frio, a temperatura do planeta subiu e vai, muito provavelmente continuar a subir, para os níveis actuais, mesmo sem a ajuda das emissões antropogénicas do agora tão falado dióxido de carbono e dos outros gases com efeito de estufa.

A tarefa não é fácil e, repetindo o que disse no início, se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma de viver e de consumir, deixando de agredir e de conspurcar a Natureza.

A. M. Galopim de Carvalho
(O autor não segue o acordo ortográfico)
(Imagem retirada no site https://jra.abae.pt)