Como Se Fez – 46: Torneiras

Para fazer estes Mistérios da Água, primeiro trata-se do arame, no qual se faz um olhal mais ou menos a meio, para aumentar a superfície de contacto com a torneira, na qual se vai colar.
Como é evidente, o arame precisa de ter espessura suficiente para suportar o peso da torneira sem arquear, nem dobrar ou oscilar durante a passagem da água.
Cola-se o arame à torneira, no lado oposto ao visível na imagem. Abre-se a torneira para que a água passe livremente através dela.
Dobram-se as pontas na perpendicular do olhal e ambas atravessam a cartolina que fica atrás. A torneira está invertida, isto é, aquilo que se designa habitualmente por “de pernas para o ar!” ainda que a torneira não tenha pernas…
Prendem-se as pontas do arame entre objetos pesados ou numa outra torneira ligada à rede de água (lavatório, banheira ou lava-loiças). Alinha-se a torneira do arame com a saída de água, venha ela de um funil ou da rede. Abre-se a água ou despeja-se de um recipiente qualquer.

Câmara no tripé, iluminação a evitar incidir sobre o fundo e dispara-se.
No fim, roda-se a imagem 180 graus. Está pronto.
O manípulo abaixo (Macro com tubo curto) e a misturadora (fotografia do negativo) são mais dois exemplos da série Torneiras.
JML

M.A.S.M.O. – Peça de janeiro

Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas

Fragmento de Tampa de Sepultura NSM/LM/99/3

Necrópole da Igreja de Santa Maria, Sintra – Medieval 118 x 52 x 22 cm

Calcário de São Pedro

Fragmento de tampa de sepultura com motivo crucífero, em relevo, proveniente da necrópole medieval da Igreja de Santa Maria de Sintra. Está decorada com uma cruz de braços floriformes, de pé alto, com um losango estilizado no centro.

Apresentava originalmente duas lacunas, uma na parte lateral esquerda, e outra na parte inferior, tendo sido alvo de restauro e reintegração física no Laboratório do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.

A Necrópole Medieval de Santa Maria de Sintra possui uma amplitude cronológica que vai desde os princípios da nacionalidade até meados do século XVIII. No entanto, o espólio lapidar com essa proveniência em exposição no Museu remete-nos, sobretudo, para os séculos XIII, XIV e XV
–época a que pertencerá também a presente tampa de sepultura.

Integra a exposição permanente «O Livro de Pedra».

Marta Ribeiro

Corta-Mato 2017

No passado dia 8 de novembro decorreu mais uma prova do nosso Corta-Mato.

Esta atividade ao ar livre, dinamizada pela disciplina de Educação Física e que contou com a colaboração de todos restantes os professores, já é uma tradição na Escola Básica Integrada de Colares.

Foi um dia mais descontraído, com bom tempo, para os alunos da nossa escola, cheio de diversão e brincadeira, na qual, muitos superaram os seus próprios tempos, alcançados anteriormente.

Catarina Fontoura - 8º B

História que os Professores de Geologia devem conhecer (1)

Com este artigo damos início à publicação de um texto, mais longo que o habitual, da responsabilidade do Professor Galopim de Carvalho. Dada a extensão do mesmo, a sua publicação será feita por capítulos.

OS PRIMÓRDIOS

Ao alimentarem-se de frutos, raízes e animais que, de início, coletavam e, mais tarde, cultivavam ou apascentavam, os nossos antepassados pré-históricos interagiram de muito perto com a biodiversidade dos sucessivos ambientes que foram ocupando e, ao percorrerem esses ambientes, não puderam deixar de interagir com a geodiversidade, o chão de terra, de pedra ou e lama que pisaram, as pedras que apanharam e de que se serviram, as cavernas em que se abrigaram.  Alastrando a todas as latitudes, longitudes e altitudes, a superfície do planeta foi-se abrindo à sua observação e, neste domínio, ainda que de forma muito embrionária, podemos aceitar que se iniciaram nos conhecimentos da ciência que surgiu milénios mais tarde e a que foi dado o nome de Geologia.

Estabeleceram relações de causa-efeito entre as rochas e os minerais que foram encontrando e os mecanismos que lhes foi dado observar no mundo físico que foi o seu. Experimentaram o que puderam experimentar, deduziram o que souberam deduzir, inferiram o que conseguiram inferir e transmitiram, aos descendentes, o saber que neste e noutros domínios foram acumulando, servindo-se para tal das linguagens de que dispunham, nomeadamente o gesto e, mais tarde e progressivamente, a fala.

Presenciaram a chuva e os seus efeitos como poderoso agente de erosão, desde a simples e inofensiva escorrência, às grandes enxurradas e aluimentos de terras. Assistiram a catastróficas cheias próprias das planícies aluviais dos grandes rios e suportaram secas intermináveis. Andaram sobre as dunas e relacionaram-nas com o vento. Enfrentaram climas tórridos e outros imensamente frios, subiram e desceram montanhas, num acumular de experiências que lhes permitiram viver e sobreviver. Procuraram grutas para se protegerem das intempéries e de alguns dos animais com que partilharam o espaço e conheceram os pigmentos minerais com que pintaram algumas delas, numa demonstração de criatividade artística da sua condição humana.

Viram a lava incandescente a fluir e imobilizar-se por arrefecimento, transformada em rocha e deixaram as suas pegadas sobre as cinzas vulcânicas. Sentiram a terra tremer debaixo dos pés e ouviram o som cavo e assustador dos sismos. Conheceram o sílex e a sua caraterística fratura conchoidal, aprenderam a encontrá-lo nas suas jazidas e tiraram partido desses conhecimentos para produzir utensílios e armas. Verificaram idênticas características no quartzo macrocristalino (em especial, o hialino e o defumado) e nos vidros vulcânicos (obsidiana e outros) e deram-lhes a mesma utilização.

Conheceram a argila, a sua plasticidade quando misturada com a água e o seu endurecimento pelo fogo. Usaram o betume (asfalto) como combustível e, talvez, como fonte de iluminação, e prospetaram o ouro, a prata, os minerais de cobre, os de estanho e os de ferro, milhares de anos antes de a ciência lhes ter prestado atenção e lhes ter dado nomes. Aprenderam a explorá-los e ensaiaram as metalurgias, primeiro, a do bronze, há mais de 5000 anos e, cerca de mil anos depois, a do ferro. Fizeram tudo isto e muito mais antes dos sumérios, chineses e egípcios terem iniciado a arte de escrever.

Numa longa caminhada, tão velha quanto a humanidade, a Geologia, no seu todo, foi sendo descoberta pelo Homem, que tirou dos seus ensinamentos os proveitos que lhe permitiram progredir da simples busca do sílex à prospeção e exploração de recursos energéticos e de minerais estratégicos essenciais às modernas tecnologias da sociedade do presente.

(Continua)

A. M. Galopim de Carvalho

Museu da Assembleia da República – Últimas peças do ano

Novembro

Peça de novembro

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Dezembro

Peça de dezembro

 

Balanço

Recomeçámos a 9 de setembro e publicámos, até agora, três dezenas de artigos.
Ainda não temos repórteres em todas as turmas, nem, no mínimo, em todos os anos de escolaridade. O pedido foi difundido a 18 de setembro e só um Diretor de Turma tratou do assunto. Todos os restantes repórteres são do 8º ano e foi nas minhas aulas, ao divulgar o Chão de Areia, que surgiram os voluntários para esta função. Eu próprio, enquanto Diretor de Turma, não tratei do assunto, uma vez que já havia alunos do 7º ano nomeados para esse serviço.
Embora tenham liberdade para escrever sobre qualquer tema, para além das atividades em que a turma esteja envolvida, se puderem nada fazer, é mesmo isso que fazem…
A notícia do Corta-Mato, agendada para 14 de novembro, tem as imagens em rascunho à espera do texto, cuja responsabilidade tem vindo a ser empurrada de uns para outros. Deve sair em janeiro. Aguardemos.
O Farol da Língua está parado desde 16 de junho, o que nos leva a equacionar a sua continuidade. Não ter dúvidas nem sempre é sintoma de ignorância, quem as tem, simplesmente deve preferir a satisfação mais imediata do Priberam ou do Ciberdúvidas.
A Cartola Matemática, novidade deste ano letivo, tem sido um sucesso relativo, afinal aquilo tem no nome uma palavra que assusta as pessoas e não é “Cartola”. Deve continuar até final do ano letivo.
O Museu da Assembleia da República comprometeu-nos o protocolo, quando começou a ter páginas protegidas, o que nos complica muito a publicação. Contamos mostrar até final deste ano civil apenas as imagens, com hiperligações para os interessados no texto.
Com o Museu de Odrinhas, o protocolo mantém-se sem qualquer reparo.
Sobre a Faculdade de Ciências, recebemos a 26 de setembro a informação de que chegaria material para publicação, mas até agora, nada.
Agradecemos ao Professor Galopim de Carvalho a colaboração regular, que se deverá manter.
A Agenda e o Provérbio do Dia nunca falharam, apesar de termos a sensação de que, para além de alguns leitores menos jovens, ninguém lhes liga.
Imagem: Miradouro da “Casa da Árvore”, Baños, Equador.
O Editor

Como Se Fez – 45: Boas Festas

Trata-se de uma Macro com tubos, pois este Presépio tem apenas 4 cm de largura, conforme se pode verificar na imagem no fundo do artigo, uma vez que a moeda de 2 Euros tem 25,75 mm de diâmetro.
A iluminação é artificial e orientada de forma a não incidir sobre a cartolina preta do fundo.
A ampliação é de 1/1,6 ou seja, 0,625X. Isto significa que a imagem ocupa mais de metade da largura do sensor. A forma de calcular a relação entre a imagem e o objeto captado será explicada num artigo a publicar futuramente.
Sobre a temática desta quadra festiva segue-se a hiperligação para os interessados em rever o artigo de dezembro de 2014, onde se abordam reflexos.
http://chaodeareia.agml.net/2014/12/como-se-fez-feliz-natal/


JML

M.A.S.M.O. – Peça de dezembro

Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas

Sarcófago Etrusco dos Dois Seres Marinhos

Século III a.C. Nenfro 2,11 x 0,80 x 0,68  Necrópole de Carcarello, Tuscania, Lácio, Itália

Sarcófago etrusco, datado do século III a.C., proveniente da Necrópole de Carcarello, sita nos arredores da cidade de Tuscania, Lácio, Itália.

A tampa deste sarcófago desapareceu no Parque de Monserrate por ocasião de um desprendimento de terras ocorrido a 19 de Novembro de 1983, sendo conhecida apenas através de fotografias antigas.
Este sarcófago apresenta um baixo-relevo cercado por moldura decorada na parte superior com rosetas quadrifoliadas. No centro está figurado um mascarão, com um bigode de pontas compridas, caídas, e uma barba curta no queixo. Na cabeça exibe um barrete frígio. Trata-se muito provavelmente da representação do deus Posídon – o deus grego dos mares, cuja temível cólera podia provocar violentas tempestades.
De ambos os lados desta figura e em posição simétrica esculpiram-se dois seres marinhos (ketoi), com cabeça de cão e focinho comprido, orelhas pontiagudas, uma barbicha no queixo, e duas fortes barbatanas no peito. O seu abdómen imponente, serpentiforme, com barbatana dorsal, termina numa larga cauda de peixe.
Cada um dos seres marinhos é montado por um rapaz. A figura infantil da direita brande um pau curvo, e a da esquerda ergue a mão direita para atirar uma pedra ao companheiro. Os Erotes, seres míticos relacionados com Eros, assumiam sempre formas de crianças.
O Sarcófago dos Dois Seres Marinhos chegou ao Palácio de Monserrate, juntamente com outros dois túmulos de membros desta família etrusca, no decorrer do ano de 1867. Sir Francis Cook utilizou-os como decorações nos jardins do seu palácio, denunciando assim o gosto que a Europa culta do Romantismo nutria por antiguidades e obras de arte de povos antigos e exóticos. Ali permaneceram até tempos recentes, tendo sofrido incontáveis danos por parte de visitantes menos esclarecidos e das intempéries.
Finalmente, nos finais do século passado conseguiu-se a sua remoção para o Museu, tendo entretanto sido alvo de um cuidadoso trabalho de limpeza por parte da Escola de Recuperação do Património de Sintra e, já no âmbito do MASMO, das ações de restauro consideradas indispensáveis à sua exposição pública.

Marta Ribeiro

Animações de Natal

No âmbito da disciplina de TIC, os alunos das turmas 8ºC e 9º B, da escola EBI de Colares, realizaram animações com editor online de vídeo “Moovly”.
Durante o 1º período foi lançado o seguinte desafio aos alunos: explorar em grupo o editor online para a realização de animações, quase sem a ajuda da professora. O desafio foi bem aceite e superou as expectativas pois, além de aplicarem aprendizagens adquiridas no ano passado, nomeadamente o editor de imagens “GIMP” para o tratamento de imagens, fizeram um bom trabalho na exploração das potencialidades do editor online de vídeo.
Os alunos estão de parabéns pelo trabalho realizado.
Aqui partilhamos algumas animações para desejar a todos um Feliz Natal!

Daniela Cabral e Rúben Fialho – 8ºC


Beatriz Adriano e Bruno Santos – 8ºC

Aléxia Nunes e Luana Pernes – 8º C

Ema Santos e Guilherme Ganhão – 8º C

Rodrigo Oliveira e Rúben Pantana – 9ºB

Eva Lopes e Duarte Matos – 9ºB

Angkhana Saensathan e Catarina Pereira – 9º B

Florbela Ribeiro

Meter a Foice em Seara Alheia

Porque tive um bom professor de Filosofia, em Évora, no 6º e 7º anos do Liceu (atuais 10º e 11º), António Hortêncio da Piedade Morais, mantive ao longo da vida um certo respeito por uma matéria que nunca aprofundei. Lembro-me de uma frase sua: “a filosofia é, sobretudo, a via que conduz o nosso cérebro ou a nossa mente a pensar sobre o pensamento” e é esta a noção que conservo desta disciplina. Percebe-se, assim por que razão os filósofos são, muitas vezes, referidos como pensadores.
Há dias tive curiosidade em passar os olhos sobre o Programa oficial desta disciplina, no nosso ensino secundário, e uma das frases que li e que transcrevo: “Iniciar à discursividade filosófica, prestando particular atenção, nos discursos/textos, à análise das articulações lógico-sintáticas e à análise dos procedimentos retórico-argumentativos”, acentuou-me a convicção de que um discurso tão desnecessariamente rebuscado (que me mostra o elevado nível filosófico de quem o escreveu, mas me deixa dúvidas e perplexo no que respeita à sua qualidade pedagógica) faz fugir “a sete léguas” um qualquer adolescente. A mim, cuja idade pesa mais do que cinco adolescentes, foi o que me aconteceu, fugi.
Com boa vontade, podemos admitir que todos somos filósofos sempre que procuramos saber ou investigar algo, seja sobre minerais ou rochas, borboletas, literatura, castelos, gastronomia, pintura, planetas e satélites, jardinagem ou até, mesmo, futebol, moda ou tauromaquia. Tudo é sabedoria e tudo é, de facto, para os respetivos cultores, motivo de amor ou interesse. Mas o conceito académico de filosofia é algo mais profundo, a tratar por quem ganhou estatuto para tal. É, por assim dizer, uma sabedoria com uma longa história, vasta e complexa, que abarca a universalidade do conhecimento, que o questiona, explora e, tantas vezes, vai à frente dele.
Como disciplina dos programas escolares do secundário, Filosofia é um ramo do conhecimento como qualquer outro. Afasta muitos alunos porque, como se viu, usa um vocabulário, para eles, erudito e hermético, fora do seu dia-a-dia. Na realidade, tem um “falar caro” que, se for “trocado por miúdos”, deixa de “meter medo”, passa a ter significado e, até, acredite-se, pelo menos para mim, tem beleza.
Como filósofo que sou, no estrito sentido de gostar de saber coisas, das mais simples e vulgares, como levantar uma parede de tijolos, ao porquê das ondas de gravidade prevista por Einstein há 100 anos e agora, finalmente, descobertas, não resisto a “meter o nariz e espreitar” este maravilhoso domínio do génio humano.
Fique claro que não pretendo “meter a foice em seara alheia”. Não adquiri preparação académica em filosofia. Limito-me, pois, a procurar tornar acessíveis as leituras que a condição de “arrumado na prateleira”, na situação de aposentado, desde 2001 (há 16 anos, é muito tempo), me vão ensinando.
Dada esta explicação que me desculpem os leitores mais letrados, professores e outros que, certamente, dispensarão, estas minhas incursões. Mas é que eu sei que são muitos os que esperam de mim estas conversas. E é a pensar neles que vou pondo aqui, todos os dias e “enquanto é tempo” (o horizonte de vida não permite dilatar o tempo), o que aprendi e continuo a aprender, bem como o que meditei ao longo da vida.
A. M. Galopim de Carvalho