Farol da Língua

Bem falar e bem escrever

Consultório de dúvidas da língua portuguesa

78 comentários para “Farol da Língua”

  1. Haverá ou haverão?
    «Haverá/Haverão outros monólogos…»

    Obviamente, “Haverá” era o que lá deveria estar, já que o verbo haver, no sentido de «existir», só se conjuga na 3.ª pessoa do singular.
    É um erro grave que importa corrigir!

  2. Na turma 9.ºB, surgiu a dúvida: Interveio ou interviu?

    O aluno interveio na aula. OU O aluno interviu na aula.

    O verbo intervir é formado a partir do verbo vir (inter + vir) e por isso segue a sua conjugação.

    A conjugação do verbo vir no pretérito perfeito é:
    Eu vim, Tu vieste, Ele veio, Nós viemos, Vós viestes, Eles vieram

    Logo, a conjugação do verbo intervir no pretérito perfeito é:
    Eu intervim, Tu intervieste, Ele interveio, Nós interviemos, Vós interviestes, Eles intervieram

    Assim, devemos dizer:

    «O aluno interveio na aula.»

    E não se esqueçam: intervenham nas aulas… com qualidade!
    Boas intervenções!

  3. A turma do 7º D da escola EBI de Colares colocou a seguinte questão:

    Como saber a diferença no uso de este e de esse?

    Quando é que se usa as expressões esse e este, dado que os dois são pronomes demonstrativos?
    Não são só pronomes, mas também determinantes demonstrativos. A questão que põe prende-se com a distância ou proximidade em relação às pessoas que falam. Enquanto a utilização de este tem que ver com a necessidade de indicar aquilo que está próximo do emissor (o eu, ou seja, o sujeito que fala), com esse refere-se a pessoa ou objeto que está junto do destinatário, ou seja, da pessoa a quem o emissor se dirige (tratada por tu, ou por outra forma de tratamento).

  4. a) «Se eu poder passo em tua casa amanhã.»

    b) «Não vou poder ir a tua casa amanhã.»

    Qual das duas frases está correta? A frase b)

    Vejamos a distinção:

    – poder – é o infinitivo do verbo poder. Utiliza-se em construções perifrásticas, antecedido de verbos como ir e haver.

    Ex. Ele disse que não ia poder ir a tua casa.

    – puder – é o futuro do conjuntivo do verbo poder, na 1ª ou 3ª pessoa do singular

    Usa-se para indicar incerteza, e eventualidade no futuro, por isso, frequentemente vem antecedido de “se”, tal como deveria acontecer na frase a):

    Ex: Se eu puder passo em tua casa amanhã.

    Professora Helena Antão

  5. Aproximamo-nos do ENTRUDO… ou do CARNAVAL?

    A palavra Entrudo terá tido origem no latim introitus, e significaria “entrada” ou “início” da Quaresma.

    A palavra Carnaval «provém do latim “carpem levare” que significa “adeus carne” ou “retirar a carne” ou ainda está associada a “curru navalis”, que consistia num carro de rodas marítimo que saía para o mar e significava o retorno à pesca com a chegada da Primavera.» (in Carlos Gomes, “A magia do Carnaval”)

    Na tradição romana terá tido origem
    • nas Saturnalias (festas em hora de Saturno, que tinham como objetivo celebrar o despertar do novo ciclo da “mãe-natureza”),
    • nas Matronalias (celebrações dedicadas às mulheres, as quais, por esta ocasião, tinham poderes especiais sobre os homens),
    • nas Lupercalias (festas que pretendiam assegurar a fecundidade dos homens, animais e campos, realizadas à volta do dia 15 de fevereiro).

    Na tradição grega, terá tido origem nas festas em honra de Dionísios (Baco, para os romanos), deus do vinho e da inspiração.

    Bom Entrudo ou Carnaval… como preferir!

  6. A propósito da formação de palavras, no 6º C, especialmente das compostas, surgiram dúvidas sobre a utilização do hífen, assim
    Usa-se hífen:
    – Nas palavras compostas por justaposição cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido:

    ano-luz, porta-chaves, arco-íris, decreto-lei, médico-cirurgião, tenente-coronel, tio-avô, guarda-noturno, norte-americano, sul-africano;afro-asiático, primeiro-ministro, segunda-feira, guarda-chuva, etc.

    Nota: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente:
    girassol, madressilva, pontapé, paraquedas, etc.
    – Nas palavras compostas que designam espécies na área da botânica e da zoologia, ligadas ou não por preposição:
    couve-flor, erva-doce, feijão-verde, brincos-de-princesa, etc.
    * Em topónimos compostos iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigos:
    Grã-Bretanha, Abre-Campo, Entre-os-Rios, Trás-os-Montes, etc.
    Não se usa hífen:
    * Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais (salvo algumas exceções já consagradas pelo uso, como é o caso de
    água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, à queima-roupa): cão de guarda, fim de semana, sala de jantar, cor de café com leite, cor de vinho, etc.

    Professora Olinda Jarra

  7. Os alunos confundem frequentemente os verbos SER e IR, quando conjugados no pretérito perfeito do indicativo. Estes dois verbos têm formas, rigorosamente, idênticas, mas continuam a ser dois verbos muito diferentes. O primeiro, é um verbo estático que indica o que alguém foi num determinado momento; enquanto que o segundo, implica movimento.
    Assim sendo, o contexto (tudo o que está à volta da palavra) é que vai precisar de que verbo se trata.

    Por exemplo:

    Nós fomos campeões em 2003.
    Nós fomos estudar para o Japão.

  8. Na aula de Português de 5º ano, na oficina de escrita, surgiu a seguinte dúvida:
    entramos ou entrámos?
    As duas possibilidades estão corretas, mas significam coisas diferentes. Se a ideia diz respeito ao passado, na frase seguinte seria: «Chegámos tarde, mas entrámos com tudo.» Por exemplo, alguns funcionários, porque tiveram um atraso nos transportes, chegaram tarde ao trabalho. No entanto, logo que chegaram, puseram-se a trabalhar arduamente. A forma entrámos, referente à primeira pessoa do plural do verbo entrar do pretérito perfeito, escreve-se com acento agudo no a, portanto, á.
    Se a ideia tiver que ver com o presente, por exemplo, os amigos falam uns com os outros e dizem «Chegámos tarde, mas [agora] entramos com tudo [e vamos demonstrar que somos excelentes funcionários…]», neste caso, utilizando o presente do indicativo do verbo entrar, primeira pessoa do plural, não se acentua a forma verbal.

  9. TIVER OU ESTIVER?

    As duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Ambas são formas verbais conjugadas na 1.ª ou na 3.ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo. São, contudo, verbos diferentes. Tiver é uma forma conjugada do verbo ter e estiver é uma forma conjugada do verbo estar.

    Os verbos ter e estar são muito usados pelos falantes da língua portuguesa, apresentando uma grande variedade de significados.

    Ter refere-se ao ato de possuir, sentir, conter, gerar, considerar, precisar, expressar, guardar, contrair e alcançar, entre outros.

    Estar refere-se ao ato de se encontrar, marcar presença, estabelecer relações, partilhar opiniões, fazer, consistir, pertencer, vestir e custar, entre outros.

    A confusão entre estes dois verbos acontece porque é comum, numa linguagem informal, haver a supressão da sílaba inicial es- do verbo estar.

    Professora Helena Antão

  10. Aqui vai uma dúvida surgida na minha turma de 7º Ano.

    A diferença de uso entre Este/Esse

    Quando é que se usa as expressões esse e este, dado que os dois são pronomes demonstrativos?
    Albano Epalanga Estudante Lobito, Angola 640
    Não são só pronomes, mas também determinantes demonstrativos. A questão que põe prende-se com a distância ou proximidade em relação às pessoas que falam. Enquanto a utilização de este tem que ver com a necessidade de indicar aquilo que está próximo do emissor (o eu, ou seja, o sujeito que fala), com esse refere-se a pessoa ou objeto que está junto do destinatário, ou seja, da pessoa a quem o emissor se dirige (tratada por tu, ou por outra forma de tratamento).

    Atentamente,
    João Saldanha

  11. Professora Anabela Magalhães
    Na turma 9.º B, surgiu a dúvida

    QUIÇÁ e SAMICAS

    «Quiçá» não é uma palavra que se ouça com frequência na língua portuguesa.
    Assim, na turma 9.º B, os alunos estranharam quando ela surgiu incluída nos advérbios de dúvida.

    Eis* a explicação:
    «Quiçá» é classificado como um advérbio na língua portuguesa, que possui o sentido de «algo que eventualmente pode acontecer», «porventura» ou «talvez».
    A sua origem não é clara, mas de acordo com alguns estudiosos, surge do latim quid sapit.
    Esta palavra chegou, talvez, ao idioma português através do espanhol quizá, que também possui o mesmo significado: «talvez» ou «porventura».
    De modo geral, quando se diz que determinada coisa «quiçá aconteça», significa que pode ou não se concretizar, ou seja, não há a certeza da sua realização.
    Na aula seguinte, uma aluna mostrou-nos a palavra «quiçá» no livro que andava a ler!
    Agora que já conhecemos o seu significado, vamos todos começar a usar esta palavra? Quiçá!

    «Samicas» é uma palavra que surge na peça Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, um autor do século XVI, que se estuda no 9.º ano. Os alunos acharam-lhe muita graça!
    Tem o mesmo significado que «talvez» e é um advérbio de dúvida em português antigo.
    A sua origem também não é clara. Parece derivar do italiano sa (saber) e micas (nada) equivalente ao «quiçá», «quem sabe.» Significa «talvez», «por acaso», «porventura».

    Atualmente já não se usa esta palavra. Samicas um dia ela volte!

    *“Eis”, tal como “quiçá”, também é um advérbio. Mas se “quiçá” é um advérbio de dúvida, “eis” é um advérbio de designação.

  12. Será correto dizer: “está de chuva”?

    «Está de chuva» é o comentário que se costuma fazer em Portugal a um dia chuvoso.
    É uma expressão correta, mas pertence a um estilo mais popular, mais informal, ou seja, não se usa em situações que requeiram formalidade.

  13. Surgiu a seguinte dúvida na aula de Português do 5º ano :
    ter de ou ter que ?
    Não é fácil responder à questão colocada, uma vez que, neste momento, as duas expressões são, já, consideradas equivalentes em dicionários de reconhecido valor, como é o caso do Dicionário Houaiss.
    No entanto, tradicionalmente, têm sido associados sentidos diversos às duas expressões.
    Por outro lado, e uma vez que não é consensual a aceitação de «ter que» com sentido de obrigatoriedade, dever, caso tenha necessidade de utilizar esta expressão num texto formal, recomenda-se que se utilize «ter de». Não por ser a única correta, mas sim por ser a única consensual.

  14. Professora Helena Maia
    Na turma do 7º D, surgiu a seguinte dúvida:
    Os alunos perguntaram se existe alguma regra para a posição dos determinantes possessivos como nos seguintes casos:
    — «O livro é de um amigo meu.»
    — «O livro é do meu amigo.»
    Trata-se de construções diferentes, que dependem do modo de determinação do nome que é objetivo de posse. Associado ao artigo indefinido (uma, uma), a forma do determinante possessivo (meu, teu, seu, etc.) ocorre preferencialmente depois do substantivo («um amigo meu»), embora também se aceite a seguir ao artigo indefinido e anteposto ao substantivo («um meu amigo»). Já com artigo definido (o, a), formando uma unidade com este, o possessivo ocorre quase sistematicamente antes do nome: «o meu amigo».

  15. Professora Anabela Magalhães
    Na turma 9.º C, surgiu a dúvida (bastante comum) entre solarengo e soalheiro.

    PERGUNTA: Qual a palavra que deve completar a frase: SOLARENGO ou SOALHEIRO?
    – Está um dia muito_______________ .

    RESPOSTA:

    – Está um dia muito soalheiro.
     Soalheiro – Exposto ao sol; quente; lugar onde dá o sol.

     Solarengo – Respeitante a solar ou com aspeto de solar (casa nobre).

  16. João Saldanha
    Dúvida surgida numas das minhas aulas do 7ºano.
    Aqui vai a clarificação.

    Consciência, conciência ou consciencia
    A forma correta de escrita da palavra é consciência. As palavras conciência e consciencia estão erradas. O substantivo feminino consciência indica, principalmente, a capacidade de compreender e aceitar o mundo e a própria mente de forma tolerante e sensível, com valores morais e retidão.
    Exemplos de consciência
    • Hoje comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra.
    • O professor incute nos alunos uma urgente consciência ambiental.
    • Na catequese, refletimos sobre consciência cristã.
    • A sociedade precisa trabalhar sua consciência coletiva.
    Consciência é sinônimo de escrúpulo, responsabilidade, compreensão, entendimento, probidade e retidão, entre outros.
    Como se escreve consciência?
    Consciência tem sua origem na palavra em latim conscientia, devendo assim ser escrita com ns na primeira sílaba: cons-ci-ên-ci-a.
    As palavras cognatas de consciência deverão ser também escritas com ns na primeira sílaba:
    • consciência;
    • consciente;
    • consciencializar;
    • consciencialização;
    • consciencializado;
    • consciencioso;
    • …
    Sendo uma palavra proparoxítona deverá ser acentuada na sílaba ên, dado que, segundo as regras ortográficas do português, todas as palavras proparoxítonas são graficamente acentuadas.

  17. Na aula de Português surgiu-nos uma dúvida :
    nada a ver ou nada haver ?

    Nada a ver é a forma correta de escrita desta expressão. Não ter nada a ver indica que algo não está relacionado, não dizendo respeito ou correspondendo.
    Exemplos com nada a ver:
    • A letra desta música não tem nada a ver comigo.
    • Desculpe, mas não tenho nada a ver com seus problemas.
    • Isso não tem nada a ver com minha ideologia de vida.
    • Nada a ver, irmão! De onde você tirou essa ideia?
    A expressão nada a ver é sinónima de: não ter relação com, não corresponder, não dizer respeito a, não ser do interesse de, não ter que ver.

    Não ter nada a ver: dupla negativa
    A utilização na dupla negativa (não ter nada a ver) está correta e transmite um sentido negativo à frase. É uma característica sintática da língua portuguesa consagrada pelo uso, sendo muito utilizada, principalmente na linguagem oral.
    Embora contestada por algumas pessoas, que defendem que a dupla negação transmite uma ideia afirmativa, a dupla negação não só mantém o sentido negativo da frase, como o reforça e enfatiza.
    Sintaticamente, privilegia-se que a negação ocorra antes do verbo, independentemente de ser ou não seguida de um pronome indefinido que a intensifique.
    para serem recebidas.
    Exemplos de nada a haver:
    • Já não tenho nada a haver de meus clientes.
    • Rafaela não tem nada a haver do dinheiro da herança dos avós.
    Atenção!
    Na língua portuguesa, é possível que ocorra a sequência nada haver, não sendo uma expressão com significado próprio, mas sim o seguimento do advérbio nada e do verbo haver.
    Exemplos com sequência nada haver:
    • Por nada haver para fazer, fui embora mais cedo do escritório.
    • Fiquei triste por ele nada haver dito sobre minha situação.

  18. Olá, Farol da Língua!
    Somos o 5ºE, da E.B. 2.3 D. Fernando II e, numa aula de português surgiu-nos esta dúvida:
    Eu tenho de estudar para o teste.
    ou
    Eu tenho que estudar para o teste.

    A frase correta é “Eu tenho de estudar para o teste.”

    «Ter de» é uma expressão utilizada quando se pretende dizer que se tem o desejo, a necessidade, a obrigação ou o dever em relação a uma ação. Nesta frase pretende-se dizer que ele precisa de estudar, deve estudar, tem a obrigação ou a necessidade de estudar.

    Também existe a expressão «Ter que». Na frase “Eu tenho muito que estudar” pretende dizer-se que tem muita matéria para estudar. Não é do dever de estudar que se pretende falar, mas da quantidade de estudo que há para fazer.

  19. Olá, Farol da Língua

    Somos o 6ºD, da EB 2, 3 de D. Fernando II, na aula de Português estamos a trabalhar o texto dramático e, perante a palavra “aparte”, surgiu a dúvida relativamente à utilização deste termo e da expressão “à parte”.

    “Aparte” é um nome que pode significar um comentário que interrompe um discurso, um esclarecimento, uma confidência que um ator, em cena, diz para si ou para o público. Pode ainda ser uma forma do verbo “apartar” que significa “separar”, “afastar”.

    “À parte” significa «em separado» e é uma locução adverbial.

    Assim, diz-se:

    A apresentação foi interrompida por constantes “apartes”.

    Esta didascália refere que, neste momento, a atriz deverá fazer um “aparte”.

    – Senhor Rui, “aparte” aqueles dois que estão ali a discutir.

    Eu chamei-o para uma conversa “à parte”.

    O exercício de evacuação correu bem, “à parte” um pequeno problema com o toque.

  20. 9º A / Colares-Helena Maia, 8 de abril de 2016
    Imoral ou amoral
    As palavras imoral e amoral existem na língua portuguesa e estão corretas. Contudo, os seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. A palavra imoral refere-se a algo ou alguém que é contrário à moral, à decência e ao pudor, bem como a alguém que afronta as convenções morais. A palavra amoral refere-se a uma pessoa que não tem senso moral, que é moralmente neutra, não sendo nem moral, nem imoral.
    A palavra imoral é derivada por prefixação, sendo o prefixo (i)- acrescentado ao substantivo moral, alterando o seu sentido. O prefixo latino i- sugere uma ideia contrária, uma negação. Assim, imoral é sinónimo de indecente, obsceno, indecoroso, devasso, depravado, impudico, desrespeitoso, descarado, entre outros.
    Exemplos: o seu comportamento imoral apenas revela sua indecência e falta de pudor;
    aquela mulher vive uma vida imoral, dedicada aos prazeres carnais;
    ele é completamente imoral: rouba, engana, trapaceia e nem quer saber!
    A palavra amoral é também derivada por prefixação, sendo o prefixo a- acrescentado ao substantivo moral, alterando o seu sentido. O prefixo latino (a)- sugere uma ideia de afastamento, separação, privação. Assim, amoral é sinônimo de indiferente à moral, estranho à moral, alheio à moral.
    Exemplos: consideramos algumas comunidades indígenas amorais, porque desconhecem o senso de moralidade; esta arte amoral pode chocar os mais sensíveis.
    Imoral e amoral são substantivos e adjetivos uniformes, ou seja, de dois gêneros, que apresentam sempre a mesma forma, quer no género feminino, quer no género masculino (a atitude imoral/o comportamento imoral; a atitude amoral/o comportamento amoral; o imoral/a imoral; o amoral/a amoral).
    Além disso, as palavras imoral e amoral são escritas de forma parecida e são pronunciadas de forma parecida, mas os seus significados são diferentes. A este tipo de palavras chamamos palavras parónimas. Na língua portuguesa, existem diversas palavras parónimas: cumprimento/comprimento, eminente/iminente, descrição/discrição, entre outras.

  21. Nesta nossa reflexão sobre a língua surgiram recentemente estas questões:

    A palavra muitos parece nasalada no mui, dizendo-se mui”m”tos. Porquê?

    Palavras como assaz, satisfaz, voraz, etc escrevem-se com z no final. Porquê z e não s?

    Do mesmo modo temos paz, mas também pás (utensílio doméstico) escreve-se com s. Porquê?

    resposta encontrada pelos alunos:
    “muito” chegou até nós por evolução fonética desde o Indo-Europeu “meg” (mãe de todas as línguas). Semanticamente já significava “grande”.

    O latim absorveu esta influência passando foneticamente a “multum” e semanticamente a “grande quantidade”.

    Do latim até aos dias de hoje, foneticamente “multum” > “muito”

    “t” caiu = síncope (queda de um som no interior da palavra)
    “l”> “i” = vocalização (as consoantes passam a vogais)
    “u” > “o” = transformação normal dos “u” finais em “o”
    “m” = apócope (queda de um som no final da palavra)

    Quanto às palavras assaz, satisfaz, voraz, paz, pás
    tem a ver com a origem das palavras
    por ex: “paz” vem do Latim PAX, “paz”
    “pá” vem do latim pala, -ae, pá, enxada

    Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos abstratos a partir de adjetivos

    Exemplos:

    inválido- invalidez limpo-limpeza macio- maciez rígido- rigidez
    frio- frieza nobre- nobreza pobre-pobreza surdo- surdez

  22. Numerar e enumerar, qual a diferença?

    Numa aula de português, 5º B, surgiu a dúvida sobre o significado destas duas palavras.
    Consultando o dicionário, imediatamente disponível, verificou-se que:
    enumerar
    verbo transitivo
    1. Enunciar ou expor, um a um.
    2. Numerar.
    3. Contar por partes, narrar minuciosamente; especificar.
    4. Relacionar metodicamente.

    numerar
    (latim numero, -are, contar, numerar, pagar, enumerar, considerar)
    verbo transitivo
    1. Dispor em ordem numérica.
    2. Pôr números em.
    3. Expor metodicamente. = ENUMERAR
    4. Considerar, incluir.

    ” in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

    Conclusão: embora possa haver alguma semelhança, (aceções 2 e 3 respetivamente) neste contexto não, pois numerar é “colocar/escrever” por ordem numérica e enumerar será “dizer/falar” (sobre) um a um.

    Olinda Jarra, aula de português, 5º B , em 2/3/2016, sala

  23. Olá, Farol da Língua!
    Somos uma turma do ensino básico de Formação e Educação de Adultos e gostaríamos de ver esclarecida a seguinte dúvida: qual a forma correta – “beneficiência” ou “beneficência”?
    15. B3 (curso EFA)

    A disponibilidade para fazer o bem, a prática da caridade é a “beneficência” (do latim beneficentia) e o adjetivo é “beneficente”.

  24. Ratificar ou Retificar? Qual é a diferença?

    Por vezes, nos noticiários, deparamo-nos com palavras que nos causam muitas dúvidas, não apenas quanto à pronúncia (porque as confundimos facilmente), mas também quanto ao significado. Exemplo disso são as palavras “ratificar” e “retificar”. Afinal, qual é a diferença?

    Ora, “ratificar” significa confirmar o que foi proposto, validar, comprovar e “retificar” significa tornar reto, alinhar, corrigir.

    Por exemplo:

    Os países da União Europeia ratificaram o tratado. (confirmaram o que foi proposto)

    O aluno retificou o que disse. (corrigiu o que disse)

    Agora, sim. Já vemos a diferença!

    (Alunos do 9ºC da D. Fernando II)

  25. Na aula de Português de hoje, surgiu-nos uma dúvida.

    Qual é a expressão correta?

    Nós preferimos um copo de leite a um copo de sumo.

    ou

    Nós preferimos um copo de leite do que um copo de sumo.

    A expressão correta é:

    Nós preferimos um copo de leite a um copo de sumo.

    Atenção: o verbo “preferir” rege-se sempre com a preposição “a”.

    Assim, devemos dizer:

    Prefiro o cinema à televisão.
    Preferimos salgados a doces.
    Prefiro a primavera ao inverno.
    Eles preferem Educação Física a Matemática.

    Gonçalo Nunes (6ºC) e Luís Violante (6ºD) – EB 2,3 D. Dernando II

  26. Olá Farol da Língua!

    Somos uma turma do ensino básico de Educação e Formação de Adultos e gostaríamos de ver esclarecida a seguinte dúvida: qual a forma correta – “beneficiência” ou “beneficência”?
    15. B3 (curso EFA)

    A disponibilidade para fazer o bem, a prática da caridade é a “beneficência” (do latim beneficentia) e o adjetivo é “beneficente”.

  27. Olá Chão de Areia
    A turma do 6ºE da escola Básica D. Fernando II colocou a seguinte questão:
    Como podemos distinguir emergir e imergir?????

    As duas palavras estão corretas. São escritas e pronunciadas de forma parecida, mas os seus significados são diferentes. A este tipo de palavras chamamos palavras parónimas.

    A palavra emergir significa, elevar algo acima do nível da água e a palavra imergir significa, afundar alguma coisa em líquido.
    Emergir tem a sua origem na palavra em latim emergere e refere-se ao ato de se elevar acima do nível da água, subir, vir à tona. Também se usa com significado de aparecer e de se manifestar, tornando-se compreensível.

    Imergir tem a sua origem na palavra em latim immergere , que se refere ao ato de afundar alguma coisa em um líquido, submergir, mergulhar. Também se usa com significado de se introduzir em algum lugar ou ficar absorvido por alguma coisa.

    Exemplos:
    Emergir-
    Os mergulhadores vão emergir a qualquer momento da expedição feita no fundo do mar.

    Exemplos:
    Imergir-
    É preciso imergir no mar para conseguir encontrar os destroços do avião caído.

  28. Dúvidas na utilização do hífen.
    Somos alunos da turma 9º D de Colares e, como muitos outros alunos e não só, tínhamos muitas dúvidas em relação à utilização do hífen. Fica aqui este quadro com dicas para a utilização do hífen. Espero que vos ajude a dissipar as dúvidas, assim como nos ajudou a nós!

    DICAS PARA O USO DO HÍFEN:

    Vogais diferentes —— Não use hífen — infraestrutura, extraoficial, autoestrada, ultraelevado.
    Vogais iguais —— Use hífen — anti-inflamatório, auto-observação, micro-ondas, contra-argumento.
    Consoantes iguais —— Use hífen — sub-base, super-requintado, inter-racial, inter-relacionar, hiper-realista.
    Vogal + (R) e (S) ——- Não use hífen, duplique as consoantes: RR e SS—antissocial, autossuficiente, autorretrato, ultrarrápido, contrarreforma.
    Bem —— Use hífen — bem-vindo, bem-nascido, bem-educado, bem-humorado.

Enviar