Diplomas 4º Ano

Os alunos do 4º ano da EBI de Colares receberam, no passado dia 22 de junho os seus diplomas de final ciclo. Foi uma festa memorável. Os nossos meninos merecem.

Agradecemos a presença de todos, familiares e corpo docente. Um futuro maravilhoso é o que desejamos.

As professoras Catarina Oliveira e Mónica Brás

Rochas Vulcânicas de Aparência Sedimentar

Na sequência de atividade vulcânica explosiva, as cinzas, que alguns autores referem por “tephra” (termo grego que significa cinza), os “lapilli” (termo italiano equivalente a “bagacina”, usado nos Açores) e demais materiais sólidos ejectados, referidos no conjunto por piroclastos, acabam por se depositar por efeito da gravidade, constituindo acumulações mais perto ou mais longe do respectivo vulcão, em função da magnitude das explosões, do vento e das dimensões dessas partículas. Uma deposição por efeito gravítico é, para todos os efeitos e por respeito pelo significado das palavras, uma sedimentação. O modo de deposição, por queda gravítica, destes materiais confere, às respectivas acumulações, estruturas em camadas sobrepostas, à semelhança dos estratos das rochas sedimentares.
Assim sendo, alguns sedimentólogos, entre os quais, o alemão J. Walther e o americano de origem alemã A. W. Grabau, no primeiro quartel do século XX, e os seus seguidores, os americanos G. M. Friedman e J. E. Sanders, cerca de meio século depois, consideraram estas acumulações vulcânicas como rochas sedimentares, incluindo-as nas rochas detríticas.
Porém, outros estudiosos nesta área, entre os quais me incluo, discordam deste critério. Com efeito, tais produtos são o resultado de uma atividade endógena (o vulcanismo) e não exógena, condição implícita no conceito de rocha sedimentar. As acumulações estratificadas de piroclastos não resultam de erosão e de transporte, tal como é definido em geodinâmica externa, mas apenas sofreram arremesso explosivo e deposição por gravidade. Assim, devem ser consideradas no âmbito das rochas vulcânicas e, portanto, no das magmáticas ou ígneas. Nestes termos, a conceção dos citados autores deve, pois, ser rejeitada como, aliás, o foi pela Comissão para a Petrologia, da International “Union of Geological Sciences” (IUGS).
Numa série como a do Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra, caraterizado pela alternância de escoadas de lavas basálticas e níveis piroclásticos (tufos e outros), a obediência ao critério de Walther-Grabau apontá-lo-ia como uma sequência de rochas alternadamente magmáticas e sedimentares, o que não faz qualquer sentido.
Não é o caso dos “lahars”, um tipo particular de grandes escoadas lamacentas, formadas por cinzas vulcânicas empapadas de água que se desprendem torrencial e catastroficamente das vertentes do aparelho vulcânico, destruindo e afogando tudo sob um espesso manto de lama, como aconteceu em Armero, na Colômbia, a 14 de Novembro de 1985. A cidade foi quase instantaneamente soterrada pela rápida descida de um “lahar” vindo do vulcão Nevada del Ruiz, que vitimou cerca de 23 000 dos seus 30 000 habitantes. Os materiais resultantes da deposição destas escoadas já devem, com efeito, ser considerados rochas vulcano-sedimentares, tendo sido designados pela dita Comissão para a Petrologia, da IUGS, por epiclastos (do grego “epi”, superficial, por cima), quando ainda incoesos, e por epiclastitos, uma vez consolidados.
Ilustração: Camadas de piroclastos (tufos) no Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra, deslocadas por efeito de uma falha inversa (compressiva).
Foto de Teresa Isabel Loureiro
A. M. Galopim de Carvalho

Museu da Assembleia da República – Peça de julho

PEÇA DO MÊS | DEFUMADOR

Recipiente para queimar ervas aromáticas, em forma de pequena caixa troncocónica e tampa perfurada, de porcelana de pasta dura coberta exteriormente na totalidade com esmaltes sobre o vidrado no estilo Ko-Kutani. Marcado na base.

O corpo é revestido de esmalte preto coberto por pontilhado azul-turquesa, sobre o qual se destaca em esmalte dourado a decoração Karakusa de enrolamentos de gavinhas e pequenas folhas, assimétrica e pontuada por crisântemos. Junto à base tem cercadura vermelho ferro decorada com folhas lanceoladas douradas, assenta em três pequenos pés trapezoidais, dourados. A tampa, com decoração idêntica e orla vermelho ferro com pontos dourados, tem pomo dourado e três aberturas ovais. O interior não é vidrado.

A porcelana Kutani surgiu no Japão em meados do século XVII, na vila de Kutani, sob o patrocínio do clã Daishoji, extinguindo-se no início do século seguinte. A produção, caracterizada por revestimentos de esmaltes policromos de cores fortes e brilhantes sobre fundos de padrões intrincados, não teve aceitação idêntica à da porcelana de Arita, sua contemporânea, muito apreciada no Ocidente pelas peças em estilo Imari eKakiemon, que foram então adquiridas para as grandes coleções reais europeias.

A produção no estilo Kutani foi retomada na província de Kaga no início do século XIX, época de revivalismos, mantendo as características de utilização de cores vivas sobre desenhos densos, cobrindo toda a superfície da peça. A divulgação nas exposições universais europeias permitiu a promoção de uma produção industrializada para o vasto mercado da Europa e Estados Unidos da América, sendo a maioria das peças então exportadas revestidas de esmalte vermelho com profusa decoração de ornamentos dourados, denominada Akae. A pesquisa desenvolvida entretanto pelos artesãos japoneses permitiu criar novas técnicas, aperfeiçoando a qualidade da pasta e dos esmaltes, mas também novos modelos e novas decorações. A atual produção, de qualidade excecional, embora renovada, mantém a característica decoração esmaltada sobre o vidrado, com fundo de padrão de pequenos motivos, geometrizante, em contraste com motivos dinâmicos pintados em esmaltes de outra cor.

Esta peça foi oferecida em 6 de setembro de 2001 ao Presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos, pelo Presidente da Câmara dos Conselheiros da Dieta Nacional do Japão, Yutaka Inoue.

 

 

Quarto Ano no Gimnodesportivo

No dia 15 de junho, as turmas do 4º ano da EBI de Colares deslocaram-se ao pavilhão gimnodesportivo da EB2/3 para conhecerem as instalações e as diferentes modalidades da Educação Física. A professora Sofia Loureiro, de educação física e os alunos do 8º C, ajudaram a execução dos exercícios. Os alunos do 4ºano agradecem a todos a disponibilidade e a partilha de conhecimento.
Adorámos este dia.
Os Alunos do 4º Ano

Pergunta da Quinzena – 8

– Resposta da questão anterior: Cinco. Confira aqui.

 

No ano de 2011, onde se realizou o Campeonato Mundial de Orientação, para o qual a nossa escola foi apurada? (notícia publicada a 13 de junho de 2011)
JML

Recolha de Caixas de Ovos

A turma do 8º C, na disciplina de Organização do Projeto de Turma (OPT), dinamizou uma atividade que consistiu em revestir o teto do Bar do Alunos, com o intuito de diminuir o ruído existente neste espaço.
Este projeto ainda não ficou concluído neste ano letivo, no entanto, com este pequeno texto, pretendo em meu nome, como professora da disciplina e, em nome dos alunos envolvidos, agradecer a participação de todos na recolha das caixas de ovos. O número de caixas até hoje recolhido, superou em larga escala a nossa expetativa e foi muito gratificante perceber que, de algum modo, muitos alunos e seus familiares, professores, auxiliares de ação educativa, entre outros, se comprometeram com esta iniciativa e nos ajudaram.Acrescento ainda que, a concretização deste projeto também teve a especial colaboração dos elementos do Conselho de Turma do 8ºC, em especial das disciplinas de Educação Visual e Matemática e, da Coordenação da Escola, por isso, muito obrigada a todos!
Prof. Liliana Cabral

O Trigo e o Joio

Desde 1968, ano em que, concluído o doutoramento, passei a estar incumbido da orientação da componente científica dos estágios dos alunos finalistas, candidatos a professores do básico e do secundário, – há 50 anos, portanto! – que mantenho contacto frequente com as nossas escolas e uma parte significativa dos seus professores. Mesmo depois de jubilado, por hábito ou, talvez, por vício, mantive e continuo a manter frequente contacto, alargado de há uns anos para cá, ao ensino pré-primário e aos respetivos educadores (na realidade, quase só educadoras), uma classe profissional da maior importância, sobre a qual, assim como dos muitos jardins-escola que conheço, tenho a melhor das impressões.

Devo começar por dizer que as considerações que, com toda a humildade, objetividade e vontade de servir, penso ser meu dever fazer, se reportam ao ensino das Ciências Naturais, no Básico, e da Geologia, no Secundário, um panorama que me dizem abranger o ensino de outras disciplinas.

A vivência a que me refiro no início do texto permitiu-me constatar realidades que insisto em destacar, reflexões que me parece dever partilhar e propostas que tomo a liberdade de apresentar.

Há professores, eles e elas, excelentes, quer em termos de competência científica e pedagógica, quer na dedicação ao ensino que encaram como uma missão, a par de uma mediania que cumpre razoavelmente a sua obrigação e de um conjunto cuja extensão desconheço de homens e mulheres, sem preparação suficiente, que fazem do ensino um emprego, não uma profissão e, muito menos, uma missão.

Os vergonhosos resultados escolares, em Portugal, dão que pensar.

Percebe-se, aqui, a sistemática recusa de muitos professores (os jornais têm falado em milhares) face às diversas propostas de avaliação feitas pelos governos, ao longo de mais de uma dezena de anos.

Nesta luta dos professores contra o ministério da tutela, os sindicatos, porque estão mais interessados nos problemas laborais, importantes, sem dúvida, e como correias de transmissão que são dos partidos, têm descurado o problema da qualificação científica e pedagógica da classe, nivelando, por igual, os bons, os menos bons e os maus.
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Concurso Tampinhas

Os alunos das turmas 2º A e 6º C venceram o Concurso Tampinhas deste ano letivo. Parabéns a todos pelo interesse!
A participação de toda a comunidade educativa foi fundamental na recolha destes resíduos, tendo resultado na entrega de mais uma cadeira de rodas ao Agrupamento, pelo Rotary Club de Sintra.

Obrigada pela vossa participação!

Prof. Liliana Cabral

Balanço de Final de Ano Letivo

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Nesta análise limitamo-nos ao último ano, que é o tempo de vigência da atual equipa editorial.

Publicámos mais de 110 artigos, abordando, tanto os acontecimentos que tiveram lugar na escola, como outros assuntos de caráter informativo, histórico e científico.

Tentámos manter as práticas habituais de não deixar passar mais de cinco dias sem publicar novos textos, nem publicar dois ou mais no mesmo dia, embora nem sempre com sucesso, pois as urgências na publicação de uns e os atrasos nas entregas de outros, complicaram-nos a planificação. Também evitámos publicar artigos seguidos provenientes do mesmo autor ou local.

Alguns alunos do primeiro ciclo contribuíram com textos muito interessantes, da sua autoria.

Os alunos repórteres, que são oito do terceiro ciclo, todos voluntários, escreveram cinco artigos, o que dá uma média de 0,625 artigos para cada um. Naturalmente, como qualquer outra pessoa, todos os alunos, repórteres ou não, podem escrever para o Chão de Areia sempre que queiram e não obrigatoriamente reportagens. Mas…, escrever é quase tão difícil como desenhar e também é mais complicado do que ler, portanto, o voluntariado perde-se quando implica trabalho. Os interesses dos jovens são outros, que nós pouco valorizamos, porque ainda não o sabemos fazer. O texto “Eram Uns Tristes”, de fevereiro passado, retrata, de forma irónica e como se fosse Ficção Científica, a forma de estar da juventude dos nossos dias ou, mais precisamente, de um futuro próximo.

Em janeiro passado tivemos um ligeiro percalço, não referido no Balanço anterior, que era demasiado otimista, mas agora explicamo-lo: As exigências de segurança do PTE, bloquearam os Slideshows que ilustram alguns artigos. Não fomos informados e demorámos algum tempo até percebermos que era só nas redes “minedu”, isto é, nenhuma escola que usasse as referidas redes via as animações. Assim estivemos durante duas semanas, até que, após diligências da nossa Coeditora, a situação ficou resolvida. Esta segurança também bloqueia alguns filmes que ilustram as notícias, felizmente a maioria dos nossos leitores não vê o Chão de Areia através das referidas redes. A situação irá, com certeza, repetir-se, é o preço da segurança, vamos vendo fora da escola.

Continuámos a publicação regular dos materiais fornecidos pelos Museus, embora por vezes eles não nos tenham sido facultados.

Publicámos vários artigos do Senhor Professor Galopim de Carvalho, entre os quais a longa História da Geologia em oito capítulos, que é mais uma História do Pensamento Científico, cuja releitura aconselhamos vivamente, durou de janeiro a maio. Ficam, por enquanto, mais seis excelentes artigos a aguardar oportunidade.

Fomos acusados de publicar textos que não são do interesse da comunidade educativa de Colares, nem assuntos de caráter científico-pedagógico. Como não nos esclareceram acerca dos títulos concretos, nos quais estas caraterísticas não são respeitadas, resolvemos suspender a publicação dos artigos da categoria “Como Se Fez”, embora todos tenham uma elevada componente didática e uma carga cultural que ultrapassa a simples explicação de “como se fez”, suspeitamos que não satisfazem as exigências referidas. Chegámos ao número 54, dos quais 14 foram publicados no ano letivo que agora termina. Ficam 6, já prontos, por publicar. Recordamos que o “Como Se Fez” começou em outubro de 2013 e, conforme acordado com o editor da altura, é um tema que aborda noções básicas da fotografia criativa, para quem já possui conhecimentos elementares sobre o assunto.

Naturalmente, como em qualquer outra publicação, nem tudo agrada a todos, mas cada um só lê o que quiser. Afinal, o que não interessa a alguns pode valer ouro para outros.

A continuidade do Farol da Língua precisa mesmo de ser reequacionada, pois, apesar de estar sempre disponível para esclarecer dúvidas, na realidade elas não surgiram.

Praticamente o mesmo se passou com a Cartola Matemática, que teve algum sucesso durante os primeiros tempos.

Recordamos que, tanto no Farol, como na Cartola, toda a gente, alunos ou não, desta escola ou outra, pode participar.

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Antes da Tabela Periódica

Mais de 2200 anos antes da Tabela Periódica de Mendeleiev

Os quatro “elementos primordiais” ou “princípios”, considerados na Grécia antiga como constituintes universais da matéria – “ar”, “água”, “terra” e “fogo” – impropriamente atribuídos a Aristóteles (384 – 322 a.C.), são o culminar de uma conceção cujos primórdios se perdem nas civilizações orientais mais antigas.
Esta conceção ter-se-á desenvolvido gradualmente até ser formulada, em termos mais abrangentes, pelo grego Empédocles, de Agrigento, na Sicília, cerca de 450 a.C., como “teoria dos quatro elementos” ou “das substâncias”. Nesta conceção do mundo coube a Aristóteles, como grande pensador, fundador e mestre do Liceu de Atenas, o mérito de a divulgar e de lhe dar crédito tal que a fez singrar e resistir incólume por mais de dois mil anos. Esta visão, dita aristotélica, teve a aceitação da Igreja Romana, que a adotou e impôs, a ferro e fogo, no essencial do seu conteúdo, opondo-a tenazmente à chamada teoria atómica dos filósofos materialistas Leucipo-Demócrito. Ainda hoje o materialismo, além de outras, tem uma conotação com a atitude antirreligiosa.
Não é possível falar separadamente de Leucipo de Mileto (primeira metade do século V a.C.) e de Demócrito de Abdera (c. 460 a.C.- 370 a.C.), dois filósofos da Antiguidade grega. Leucipo, a viver em Abdera, cidade grega na costa da Trácia, foi o mestre de Demócrito, porém dos fragmentos recuperados das respetivas obras, não há como distinguir as ideias de um e de outro. Segundo os registos deixados por Aristóteles, Leucipo terá sido o criador da concepção atomista, tendo cabido a Demócrito o mérito de a desenvolver e divulgar.
Nesta concepção, um corpo material pode ser dividido até chegar a uma ínfima partícula indivisível que recebeu o nome de átomo, ou seja, tudo o que existe é composto por átomos. Ao se aglomerarem, os átomos formavam todas as coisas que conhecemos.
Para eles todos os “seres” (no sentido de coisas ou entidades materiais) do mundo e a própria alma eram um “turbilhão de infinitos átomos”, de diversos formatos, em movimento no vácuo aqui entendido como o “não-ser”, o nada, o vazio. Nesta visão, fantasiosa, o movimento não era possível sem o vácuo, concluindo que, havendo movimento, devia haver vácuo.
Foi, contudo, Demócrito que ficou na História, como o maior expoente da teoria atómica ou do atomismo, mais de 2200 anos antes do químico russo Dmitri Mendeleiev (1834-1907) ter arrumado os átomos na tabela periódica dos elementos químicos.
Abaixo: Tabela Periódica

Nota: a palavra “átomo” foi contruída a partir dos elementos gregos, “a”, negação, e “tomo”, divisível. Átomo significa, pois, indivisível.

A. M. Galopim de Carvalho